Histórico do Grupo

1º GRUPO DE ARTILHARIA ANTIAÉREA, GRUPO GENERAL ALVES MAIA: 70 ANOS DO SISTEMA OPERACIONAL DEFESA ANTIAÉREA NO BRASIL.
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O rápido desenvolvimento das aeronaves e a sua utilização em combates, tal como foi visto na 1ª Guerra Mundial, alertou ao mundo a importância que este tipo de vetor teria nas décadas subsequentes. No Brasil, o então Ministério da Guerra introduziu na instrução militar a Defesa Contra Aeronaves. A instrução antiaérea na terceira década do século XX era reduzida apenas ao emprego de metralhadoras e era realizada na Escola de Aviação, do Exército, no Campo dos Afonsos. Em 29 de março de 1933 o Decreto Nº 22.591 que tratava da reorganização da Aviação Militar tratou, também, da estruturação da Artilharia Antiaérea já que este sistema operacional estava incluso naquela modalidade de sistema de combate que, no futuro, viria a ser a Força Aérea Brasileira. Pelo decreto eram criados Zonas Militares Aéreas com Regimentos, a saber: - 1ª Zona Militar Aérea, com sede no Rio de Janeiro, com o 1º Regimento de Artilharia Antiaérea; - 2ª Zona Militar Aérea, com sede em São Paulo, com o 2º Regimento de Artilharia Antiaérea; - 3ª Zona Militar Aérea, com sede em Porto Alegre, com o 3º Regimento de Artilharia Antiaérea. Em maio de 1934 estas unidades regimentais constavam entre as de Artilharia do Exército, mas estavam sem organização por não terem armamento adequado.Uma seleção de oficiais para realizar um curso na França, País de vanguarda no assunto, foi feita à época e em agosto de 1934, o então Capitão de Artilharia Edgard de Albuquerque Alves Maia, foi designado para freqüentar o Estágio de Artilharia Antiaérea, no Exército Francês, no período de 01 Out 1934 a 30 Abr 1935, em virtude de ter sido classificado no concurso de seleção e mercê do elevado conceito que angariou no seio da Força, conforme o Aviso Nº 129, de 06 Ago 1934. Em 1936 foram baixadas instruções para o funcionamento de um curso específico de defesa antiaérea na Escola de Aviação Militar. Retornando ao Brasil, o Maj Alves Maia foi designado instrutor do Curso de Defesa Antiaérea na Escola de Aviação. No ano de 1938, por não ser possível a matrícula de militares oriundos das demais Regiões Militares, o Ministro da Guerra expediu o aviso Nº 28, de 11 de abril, determinando que o curso não funcionasse naquele ano e, com o objetivo de aproveitar o pessoal especializado, autorizou a organização provisória de um Núcleo de Bateria de Metralhadoras Antiaéreas. Alves Maia foi posto à disposição da Inspetoria Geral do Exército para colaborar na organização das instruções para funcionamento de um Centro de Instrução de Defesa Antiaérea (CIDAAe). Em 30 de janeiro de 1939, o Exmo Sr Ministro da Guerra General Gaspar Dutra pela Portaria Nº 33 criou o CIDAAe sendo o Maj Alves Maia seu primeiro Comandante. O CIDAAe viria a ser o embrião da Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea. Posteriormente, o Núcleo de Bateria de Metralhadoras Antiaéreas foi extinto e pelo Aviso Nr 139, de 04 de março de 1939 o Ministro da Guerra declarava que o pessoal e o material do Núcleo dissolvido deveriam ser transferidos para o recém criado Grupamento-Escola de Defesa Contra Aeronaves (GEDCA), que pode ser considerado o embrião do 1º GAAAe. Em 25 de maio, ainda de 1939, o Aviso Nr 215 declarou que o GEDCA ficaria subordinado ao CIDAAe. Com a aprovação do Regulamento do CIDAAe, por intermédio da Portaria Nr 967, de 27 de maio de 1939, tiveram início as atividades escolares daquele Centro. A aproximação da 2ª Guerra Mundial veio mostrar a necessidade de se investir em Artilharia Antiaérea. Já nos anos de 1937 e 1938, o Brasil fez uma significativa compra de material para artilharia de campanha e para a artilharia antiaérea na Europa. Junto à Fábrica Fried Krupp de Essen, Alemanha, foram adquiridos 60 Canhões antiaéreos calibre 88 mm. Desta cifra, porém, somente 28 foram recebidos, pois os demais foram requisitados pelo Governo Alemão em face da proximidade da guerra. Esta compra, também, incluía equipamentos de direção e controle de tiro. Com o material foram criadas as Unidades Planejadas: o I/1º RAAAe (ou I/1ºRAAAé, com a grafia da abreviatura à época, em 4 Out 1940) no Rio de Janeiro, RJ; o I/2ºRAAAe em Quitaúna (em 1º Jan de 1941), SP e o I/3ºRAAAe em Curato de Santa Cruz, RJ (com a instalação em 1º Jun 1941). Em 04 de outubro de 1940 foi criado o I Grupo do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea, 1º/1º RAAAe. O Maj Alves Maia foi designado seu primeiro Comandante. Em 04 de fevereiro de 1941 foram instaladas três Baterias, a quatro peças de canhões 88 mm, com dois aparelhos de escuta Elascope-Ortognomo e uma Bateria de Projetores SPERRY (hoje um projetor e um canhão 88 mm ornamentam a entrada do Grupo). O processo de estruturação do Regimento foi feito com a extinção do GEDCA em maio de 1941, quando todos seus integrantes, bem como seus Canhões Antiaéreos 88 mm C/56 - Mod 18, foram incorporados ao 1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea (I/1º RAAAe). Ainda em 1941, foi criado o Destacamento de Operações Antiaéreas (Dst Op AAe), subunidade orgânica do I/1º RAAAe que prestava apoio direto ao CIDAAe. O pavilhão desta subunidade, hoje, faz parte da EsACosAAe. Em 25 de outubro de 1941, o I/1º RAAAe realizou o seu primeiro exercício real contra alvos rebocados utilizando os canhões 88 mm, os telêmetros ZEISS, aparelhos de escuta, preditores WIKOG 9 SH e projetores. Há um quadro à óleo que imortaliza este tiro e hoje ornamenta o cassino de oficiais do 1º GAAAe. Em 04 de Abr 1942, o Maj Alves Maia, no Comando do Gp, presidiu a Comissão para elaboração de Regulamentos para Artilharia Antiaérea, origem de toda a doutrina e instrução deste ramo da Artilharia no Exército Brasileiro. Com a declaração de guerra ao Eixo, em 1942, visando defender a Capital Federal e o Estado do Rio de Janeiro contra a ameaça alemã, o I/1º RAAAe iniciou sua atuação como defesa antiaérea e vigilância do ar, missões que desempenhou com eficácia e poder de dissuasão até o final da guerra. Após o comando (encerrado em 15 de maio de1943), o então Ten Cel Alves Maia comandou, também, o I/3º RAAAe, quando este se deslocou em 1943 para o Nordeste Brasileiro, como parte das ações da 2ª Grande Guerra. Ainda viria ser, outra vez, comandante do CIDAAe, de 17 Jul 1946 a 31 Ago 1946, quando se afastou por motivos de saúde, do serviço ativo. No ano de 1943, a 12 de março, uma Bateria de Can Au AAe de 37 mm, norte-americanos passou a integrar o I Regimento. As instalações onde hoje se situa o 1º GAAAe foram inauguradas em 30 de julho de 1945, com a presença do Ministro da Guerra e altas autoridades civis e militares. O projeto das Instalações foi ambicioso. Iniciou-se em 1942 e ocupou a área de Deodoro conhecida como Colina Longa. Foram construídas instalações para as três Baterias de Canhões e duas Baterias de Projetores e duas Baterias de Metralhadoras, além da Administração, perfazendo um total de 15 pavilhões. Para o Apoio foi construído um pavilhão de rancho com capacidade para 1.200 cabos e soldados, 100 S Ten e Sgt e 40 oficiais, um pavilhão de enfermaria, um pavilhão de lavanderia, uma rede subterrânea de eletricidade e uma estação de tratamento de esgoto. Faltariam as instalações do Comando do Grupo de Canhões e da Bateria Extranumerária,(que viria a ser a Bateria de Comando e Serviços). Prontos em 1943, o pavilhão do Grupo de Metralhadoras, o Rancho e a Enfermaria foram ocupados pelo CIDAAe. Hoje parte dos pavilhões do antigo I/1ºRAAAe faz parte de outras OM, como a EsACosAAe. Mas o Grupo mantém instalações com a mesma serventia inicial, como o rancho e as Baterias. O Grupo atual possui metade do que foi direcionado inicialmente, em face da evolução dos meios. Em 17 de novembro de 1954, o Grupo passou a ter nova Organização, recebendo a designação de 1º G Can 90 AAe. Comandava, na época, o Cel George Americano Freire. Os canhões 88 mm foram recolhidos ao Parque de Material Bélico, sendo incorporados os canhões de 90 mm de fabricação norte-americana. Era natural e indispensável a evolução ditada pelo avanço da ciência e da tecnologia, tão característico das armas antiaéreas. Em 09 de dezembro de 1956, o Grupo passou a integrar o grupamento de Unidades-Escola, sendo assim colocado no enquadramento que tinha direito, já que apoiava diretamente o CIDAAe. O Sr Ministro da Guerra, a 22 de junho de 1961, determina a mudança da unidade para o antigo quartel do 2º BBC, em Deodoro, situação que pouco tempo perdurou, pois em dezembro do mesmo ano, o Grupo retornou a sede anterior, na tão aprazível Colina Longa. A 21 de fevereiro de 1969, passou a integrar a Artilharia Divisionária da 1º DI, permanecendo ainda prestando apoio a EsACosAAe, Escola resultante da fusão, em 1965, da Escola de Defesa Antiaérea (EsDAAe, nome subseqüente do CIDAAe) com a Escola de Artilharia de Costa (EAC). Ressalta-se, oportunamente, que a fusão da EAC com a EsDAAe, originando a EsACosAAe, não poderia ser mais acertada pelo destino pois em 20 Jul de1940 o Maj Alves Maia, um pouco antes de assumir o comando do I/1º RAAAe, foi designado para a Comissão de Redação da Doutrina de Defesa de Costa, em 20 Jul de 1940, sugerindo o ecletismo natural que viria ter estas duas especialidades. Em 12 de abril de 1977, sob o comando do Cel Rogério Arcuri, em nova modernização do material, chegaram ao Grupo os primeiros canhões do sistema OERLIKON 35 mm, de fabricação ítalo-suíça, juntamente com os equipamentos de direção de tiro (EDT) SUPERFLEDERMAUSS. Em agosto do mesmo ano, o Grupo muda a denominação de 1º G Can 90 AAe para 1º GRUPO DE ARTILHARIA ANTIAÉREA (1º GAAAe). Em 1º de janeiro de 1981 o Grupo passou a ser subordinado à 1ª Bda AAAe, criada em 16 de dezembro de 1980. O Grupo passava a pertencer a Defesa Aeroespacial podendo ser acionado para a defesa do Território Nacional, além de sua natural vocação para atuar em zonas de combate. Em 08 de novembro de 1999, o Sr Comandante do Exército concedeu ao 1º GAAAe a denominação histórica de "GRUPO GENERAL ALVES MAIA" em homenagem ao seu primeiro comandante e arquiteto do Sistema Operacional Defesa Antiaérea Brasileiro. Esta concessão foi o ato final de um trabalho criterioso de resgate histórico realizado pelo Ten Cel Carlos Alberto da Costa Gomes, comandante do Grupo no biênio 1999-2000. Em reconhecimento ao trabalho que desenvolveu ao longo de 60 anos, o Presidente da República concedeu ao Grupo, em 26 de setembro de 2000, a insígnia da Ordem do Mérito Aeronáutico ao Estandarte do 1º GAAAe, pelo eficiente cumprimento da missão no âmbito da Defesa Aeroespacial. Em 2006, em face da nova sistemática de formação do sargento de carreira, sob o comando do Ten Cel Pedro Henrique Bianco, o Grupo passou a ter encargos de Organização Militar de Corpo de Tropa (OMCT), preparando, em seis meses, os alunos que lograram êxito no concurso de admissão a EsSA para um ano de formação naquela Escola. No Rio de Janeiro, somente o 1º GAAAe possui esta incumbência. No ano de 2010, o 1º GAAAe comemora o seu septuagésimo aniversário já com vistas a uma nova renovação de seu material. Vislumbra-se a possibilidade de uma de suas baterias ser dotada de míssil portátil IGLA e estudos prosseguem para substituir A história do 1º GAAAe se confunde com a própria história da Artilharia Antiaérea do Exército Brasileiro. O Gen Alves Maia é, no Exército, o pioneiro no pensamento que iria nortear os ideais do Sistema Operacional Defesa Antiaérea. O seu Grupo e a sua Escola (EsACosAAe) são herdeiros diretos de sua dedicação e boa vontade. Nenhuma missão foi desempenhada sem brilhantismo e inovação. Na imagem de seu idealizador, a Artilharia Antiaérea prossegue na inovação e na busca do ineditismo. Todo artilheiro carrega em si um pouco da chama imorredoura de Alves Maia: espírito empreendedor, dinamismo, competência e dedicação. 1º GAAAe: IDENTIFICAR! ENGAJAR! DESTRUIR !